quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

REPOSIÇÃO DE TESTOSTERONA EM HOMENS


Desânimo, tristeza e perda de desejo sexual podem ser sinais de redução dos níveis de hormônio testosterona no homem. Na língua dos médicos, esse problema é chamado de deficiência androgênica do envelhecimento masculino (DAEM), que começa na quarta década de vida. Só nos Estados Unidos o Massachusetts Male Aging Study estima que ocorrem 480 mil novos casos em americanos na faixa etária de 40 anos a 70 anos. E o tema foi o escolhido pelos leitores para a coluna desta semana. O endocrinologista Maurício Bungerd Forneiro, autor de "Vida e prazer após os 50, o impacto da reposição hormonal masculina sobre a sua qualidade de vida" (editora Batel), explica quando se deve fazer o tratamento e as suas contra-indicações.

Quando se deve indicar o tratamento de reposição hormonal em homens? 
Existe uma idade mínima para começar?

A testosterona é o mais importante hormônio masculino, e o homem adulto produz cerca de 7mg todos os dias. A partir dos 40 anos, em média, ele começa a perder cerca de 1% de testosterona livre ao ano. A total permanece estável até por volta dos 50 anos, quando também começa a cair, a uma taxa de 0,5% a 0,8% ao ano. Indica-se o tratamento quando há sinais e sintomas associados com os níveis sanguíneos reduzidos desse hormônio. Os mais comuns são sonolência, desânimo, tristeza, melancolia, diminuição da concentração para o trabalho, déficit de memória, diminuição da libido e das ereções matinais espontâneas, dificuldade de ter ou manter a ereção, e de fazer longas caminhadas, entre outros. Assim como a mulher, após os 40 anos o homem tem maior tendência a engordar e, com a DAEM, isso piora. E simultaneamente há uma perda maior de massa muscular.

Quais são os exames necessários no diagnóstico?

Há exames laboratoriais para avaliar o eixo hipotalâmico hipofisário gonadal, com a dosagem sanguínea da testosterona total, livre, biodisponível; prolactina, hormônio folículo estimulante e luteinizante. Devemos sempre investigar a proteína que liga os hormônios sexuais, os níveis da hemoglobina, dos lipídios (as gorduras no sangue), do antígeno prostático específico (PSA), assim como realizar uma avaliação cardiológica antes do tratamento. As contra-indicações incluem a presença de câncer de próstata ou na glândula mamária do homem, pois a reposição nesses casos pode acelerar o crescimento desses tumores; embora esteja claro que não existe uma correlação entre a reposição de testosterona com o aumento da incidência desses tumores. Os pacientes que sofrem de cardiopatias e que apresentem algum grau de limitação ao exercício físico também não devem receber esse tratamento, porque existem evidências de aumento do risco cardiovascular nesse grupo específico de homens.

Quais são os hormônios usados no tratamento?

A reposição hormonal para a deficiência androgênica do envelhecimento masculino, antes chamada de andropausa, deve ser feita apenas com o hormônio testosterona. As formas de administração mais receitadas são a injeção intramuscular e aplicação do hormônio na forma de gel na pele. A injeção de undecilato de testosterona é aplicada a cada 12 semanas ou 90 dias. O início de ação não é imediato, porém é constante, com alívio da sonolência, do desânimo e recuperação da capacidade de ereção do pênis. O tratamento, em geral, deve ser mantido por toda a vida. Daí a importância de um controle rigoroso, com acompanhamento dos sintomas, do exame clínico, de exames laboratoriais, de ultrassonografia e de densitometria para avaliação de perda óssea.

O que acontece quando o homem deixa de fazer a reposição?

Em geral, ocorre reaparecimento dos sintomas, assim como a diminuição dos níveis séricos de testosterona ou alteração nos níveis da proteína que liga os hormônios sexuais. É importante ressaltar que a reposição hormonal masculina não é para quem quer fazer e sim para quem necessita e tem a indicação exata. Assim podemos obter os benefícios com uma boa margem de segurança.

Há alguma forma de retardar a reposição hormonal, sem usar medicamentos? 
Alimentação e hábitos de vida podem acelerar ou atrasar a necessidade de tratamento?
Um estilo de vida saudável, conquistado com uma dieta equilibrada, a prática de exercícios físicos de forma regular, uma boa qualidade do sono e não fumar, são exemplos de recomendações que podem retardar o aparecimento da deficiência de testosterona.


 

Vitor Belfort - É o caso mais recente de lutadores que usam TRT e também o caso que fez Dana White disparar contra quem faz a reposição de testosterona. Belfort começou o tratamento de TRT para a luta contra o inglês Michael Bisping e só admitiu o uso depois da notícia vazar e o UFC confirmar que Belfort era o mais novo membro da organização a aplicar o hormônio masculino



Chael Sonnen - O falastrão conseguiu permissão da comissão atlética de Nevada para repôr testosterona antes da revanche contra Anderson Silva, no UFC 148. O lutador foi diagnosticado em 2008 com hipogonadismo, disfunção hormonal da área genital, e por isso é adepto do TRT
Dan Henderson - A lenda do MMA já disse que usa TRT desde 2007. Segundo Hendo, os níveis de testosterona sempre foram baixos e isso o deixava mais cansado que o habitual e doente. Após ser concedida a permissão para repôr testosterona, o lutador melhorou a condição, como ele mesmo confirmou. Apesar de ser um dos mais velhos a usar o TRT, o peso meio-pesado admite que lutadores podem sim usar a terapia para mascarar doping e uso de esteroides. Hendo defende que quem faça o TRT passe por exames todo o ano para avaliar os níveis de testosterona, e não só antes e depois das lutas, como é feito o controle atualmente

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